Em tempos enchia-me de ti. De tudo o que passamos juntos e por todos os obstáculos que conseguimos atravessar com o nosso amor. Todos os beijinhos na testa, com sinal de respeito. Com as conversas que tínhamos e como nos faziam bem. Com todas as cartas que te escrevi em segredo. Agora a única coisa que me enche e por vezes transborda é a saudade. E ela aos poucos vai-me matando por dentro. Assim, sem pedir autorização para ir matando tudo aquilo que eu construí com tanto amor e com tanto cuidado. O que nós construímos. Sinto falta de ti. Sinto falta da tua alma pura e delicada. Eu conheci-a bem. Ainda conheço, mas tu pensas que não. Tinha por ti uma confiança arrebatadora, como não tinha por mais ninguém. Eu contava-te tudo sabes? Contava-te os meus medos e olha que jamais os contaria a alguém pelo simples facto de não acharem que sou fraca. Porque pode parecer muitas das vezes, mas não sou. Aguento muitas coisas sozinha, muitos males. Mas sabes? Deste-me muitas facadas nas costas. Pontapés e muitas chapadas na cara. Magoaste-me muito. E se soubesses o amor que sinto por ti, jamais o tinhas feito. E oh, tu não tens a noção das coisas que fiz para te proteger, para estar contigo e para te sentir feliz. Protegi-te muito. Protegi-te como jamais alguém conseguirá ou quererá proteger. Mas tu nem sonhas o que eu fiz para isso. Eu defendia-te com unhas e dentes. Com tudo o que podia. Eu corri a cidade inteira para poder ir ao teu encontro quando me chamavas. Tu já não te lembras disso? Já não te lembras que te dei tudo de mim? E eu prometi-me a mim mesma que nunca mais iria entregar-me a alguém desde a ultima vez que me enganaram e me mataram por dentro. Eu prometi. Mas ainda assim, eu entreguei-me e dei-te tudo, tudo, tudo de mim.
Eu prometi defender-te para lá do impossível lembras-te? E mesmo que tu tenhas quebrado todas as promessas que me fizeste, eu quero manter as minhas. E seria incapaz de as quebrar como tu. Roubaste-me toda a felicidade que predominava em mim e mesmo assim continuo a querer-te. Estou aterrorizada por pensar que posso vir a sofrer tudo outra vez, mas no fundo eu sei que isso nem me interessa porque eu amo-te com todo o meu coração e eu gosto de gostar de ti. Não quero sentir a tua falta, nem quero continuar a amar-te mas morro por dentro sabendo que sempre o farei.
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